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Um ano sem 'o homem encantado': Relembre legado deixado por mestre Damasceno

Mestre Damasceno Reprodução Nesta quarta-feira, 26 de agosto, completa 1 ano do falecimento de mestre Damasceno. Símbolo de resistência e da força cultura...

Um ano sem 'o homem encantado': Relembre legado deixado por mestre Damasceno
Um ano sem 'o homem encantado': Relembre legado deixado por mestre Damasceno (Foto: Reprodução)

Mestre Damasceno Reprodução Nesta quarta-feira, 26 de agosto, completa 1 ano do falecimento de mestre Damasceno. Símbolo de resistência e da força cultural da Ilha do Marajó, o artista morreu no mesmo dia em que a capital Belém celebrava o ritmo que ele ajudou a eternizar: o carimbó. Familiares e amigos próximos prestam homenagens nesta quarta no cemitério São Pedro, em Salvaterra, cidade marajoara onde o corpo de Damasceno foi enterrado. Em meio à saudade, a família, outros mestres da cultura popular e produtores culturais mantêm o legado de Damasceno. "Essa partida física do mestre não pode significar o fim de tudo o que ele fez. O que foi recebido de gerações passadas, conseguimos materializar esses sonhos no presente e agora vamos projetar isso no futuro para crianças, que talvez ainda nem nasceram, conhecerem quem foi mestre Damasceno", afirma o produtor Guto Nunes. Parceiro de produções nos últimos anos, Guto Nunes conheceu o mestre ainda quando era criança e relembra os momentos em teve oportunidade de documentar a sabedoria popular de Damasceno. "Ele adorava trazer e contar histórias. Era uma fonte enorme de conhecimento, uma biblioteca popular enorme. A gente não consegue mensurar o tamanho da perda quando se perder um mestre da cultura popular", afirma. Segundo Guto, atividades com bois, cortejos, como o carimbúfalo, e arraiais com apresentações seguem sendo realizados no Marajó. Em 2027, uma exposição sobre o mestre deve ser realizada. ✅ Clique e siga o canal do g1 PA no WhatsApp Damasceno Gregório dos Santos morreu aos 71 anos, em 26 de agosto de 2025, após dias internado por pneumonia e insuficiência renal. Ele havia sido diagnosticado com câncer em estado de metástase no pulmão, fígado e rins. Em reconhecimento ao seu legado, no dia da morte o Ministério da Cultura emitiu nota de pesar e o Governo do Pará decretou luto oficial. Em seu velório e sepultamento, houve cortejos e a presença de um dos símbolos culturais marajoaras que ele fundou: o Búfalo-Bumbá. "Mesmo com essa dor (da perda), a gente precisa seguir em frente porque era o que ele pediu isso 'Não deixa acabar: o que eu faço não é para mim, é para Salvaterra '", afirma Guto. Em dezembro de 2025, um documentário dirigido por Guto foi lançado destacando a vida, obra e o legado de Damasceno (relembre no vídeo abaixo). "Sou eternamente grato por ter caminhado com o mestre, ter tido tempo de ouví-lo e documentar essa vivência e ajudar na continuidade a esse homem encantado que foi mestre Damasceno", diz. Documentário destaca a vida e a obra de Mestre Damasceno Nascido em 1954 na Comunidade Quilombola do Salvá, em Salvaterra, Mestre Damasceno tornou-se referência no carimbó, nas toadas, na poesia oral e na criação do Búfalo-Bumbá de Salvaterra — manifestação junina que mescla teatro popular, cultura quilombola e elementos da natureza amazônica. Reinvenção da vida pela arte A trajetória de Damasceno foi marcada pela superação e pela reinvenção. Após perder a visão aos 19 anos, ele transformou sua realidade por meio da arte, acumulando mais de 400 composições, seis álbuns gravados e prêmios nacionais. De criador de manifestações folclóricas no interior da Amazônia a compositor de samba-enredo no carnaval carioca, sua obra foi declarada patrimônio cultural imaterial do Pará. Ao longo de cinco décadas de arte, ele compôs centenas de canções que passeiam por ritmos como toada, lundu, chula e brega. Em 2013, fundou o Conjunto de Carimbó Nativos Marajoara, grupo com o qual lançou quatro discos focados no carimbó "pau e corda". Como pessoa com deficiência visual, Damasceno fez da inclusão uma prioridade. Suas apresentações contavam com espaços de acessibilidade e oficinas para pessoas com deficiência. Um exemplo prático dessa adaptação eram os olhos brancos pintados no mini búfalo de seu neto, simbolizando a inclusão visual na brincadeira. Mestre Damasceno recebe Ordem de Mérito Cultural em cerimônia no Rio de Janeiro Em 2023, ele foi homenageado pela Tuiuti no Carnaval do Rio de Janeiro e participou dos desfiles. Outro feito de Mestre Damasceno no carnaval do Rio foi a composição de "A mina é cocoriô!", samba-enredo escolhido pela Grande Rio para o carnaval de 2025, que homenageou o estado do Pará. Em maio do mesmo ano, o artista foi agraciado com a Ordem do Mérito Cultural, a mais alta honraria concedida pelo Ministério da Cultura (relembre no vídeo acima). A atuação de Damasceno foi marcada por iniciativas que consolidaram e renovaram as tradições populares marajoaras. Em 2013, ele fundou o Conjunto de Carimbó Nativos Marajoara, que já lançou quatro álbuns com a marca registrada do artista: o carimbó pau e corda do Marajó. Mestre Damasceno durante comemoração do seus 70 anos de idade. Guto Nunes Principal criação do mestre, o Búfalo-Bumbá é uma variante do tradicional bumba meu boi, mas adaptada à realidade e à natureza marajoara. Segundo o próprio artista, a troca do boi pelo búfalo ocorreu porque o animal representa o "caboclo marajoara". A ideia surgiu em 1989, mas o espetáculo foi formatado oficialmente em 2012. A manifestação junina mescla teatro popular e cultura quilombola. Damasceno era o responsável por tudo: roteiros, figurinos e a direção das apresentações. LEIA MAIS: Mestre Damasceno: quem é o marajoara que compôs mais de 400 canções e criou o Búfalo-Bumbá Moradores de Salvaterra realizam as últimas homenagens a Mestre Damasceno Confira outras notícias do estado no g1 PA