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Projeto em Belterra ensina comunidades a gerar renda com frutos da Amazônia

Museu de Ciências da Amazônia desenvolve um projeto em Belterra Assessoria de Comunicação/Edenred Brasil Em Belterra, no oeste do Pará, conhecimentos tradi...

Projeto em Belterra ensina comunidades a gerar renda com frutos da Amazônia
Projeto em Belterra ensina comunidades a gerar renda com frutos da Amazônia (Foto: Reprodução)

Museu de Ciências da Amazônia desenvolve um projeto em Belterra Assessoria de Comunicação/Edenred Brasil Em Belterra, no oeste do Pará, conhecimentos tradicionais, ingredientes da floresta e ciência estão sendo usados para criar novas oportunidades para jovens e comunidades. Um projeto desenvolvido pelo Museu de Ciências da Amazônia (MuCA) conecta formação, gastronomia, empreendedorismo e biodiversidade com o objetivo de fortalecer atividades econômicas a partir dos próprios recursos e saberes do território. ✅ Siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp A proposta vai além da preservação da biodiversidade. A ideia é mostrar que aquilo que já existe nas comunidades também pode se transformar em conhecimento, produtos, serviços e geração de renda. Um dos espaços onde essa conexão acontece é a Casa 1, restaurante-escola e laboratório gastronômico do projeto. No local, jovens aprendem técnicas de cozinha e experimentam ingredientes encontrados na região. É o caso de Luan, de 26 anos. Antes de participar do projeto, ele nunca havia trabalhado profissionalmente com cozinha. Hoje, está à frente do restaurante-escola e também ajuda na formação de outros jovens e moradores da região. Durante o processo, ele passou a desenvolver receitas utilizando ingredientes amazônicos. Entre as experiências estão pizzas preparadas com produtos regionais, além de receitas com orelha-de-macaco e pimentinha-verde. Uma das criações surgiu depois de um imprevisto. Luan pensou em preparar uma pizza com jatobá para uma comitiva estrangeira, mas o ingrediente estava fora do período de safra. Ao mesmo tempo, uma das visitantes não podia consumir glúten. O jovem precisou encontrar uma alternativa. A solução foi desenvolver uma nova massa usando outros ingredientes disponíveis na região. Em entrevista ao g1, Larissa Faresin, gerente de Sustentabilidade da Edenred Brasil, destacou a experiência mostra como os jovens são estimulados a buscar soluções a partir dos recursos encontrados no próprio território. “Ele começou a desenvolver receitas com ingredientes amazônicos, tanto num resgate cultural, como o uso da orelha de macaco, mas também pensando em alternativas”, contou. Da produção da comunidade para novos produtos A transformação também acontece diretamente nas comunidades. Um dos exemplos é o de Dona Teresa, que participou de uma experiência depois de uma grande safra de castanha de caju. A produção foi usada para testar novas possibilidades de preparo e aproveitamento. Uma das receitas desenvolvidas foi um ceviche de caju. A experiência mostra como um produto já presente na comunidade pode ganhar novas formas de consumo e, consequentemente, abrir possibilidades de comercialização e renda. “É muito legal enxergar a própria comunidade pensando: ‘eu não tinha tido essa ideia, não pensei que dava para fazer um novo alimento’. E isso, no final do dia, gera uma renda adicional”, explicou Larissa. Outro exemplo envolve a criação de abelhas. Em uma comunidade localizada a cerca de cinco horas de barco de Belterra, moradores que já trabalham com a produção de canoas começaram a enxergar uma nova possibilidade de uso da madeira. A mesma técnica utilizada na construção das embarcações passou a ser aplicada na fabricação de caixas para abelhas. A atividade aproximou conhecimento tradicional e uma nova possibilidade de geração de renda para a comunidade. Jovens recebem formação e apoio financeiro A formação de jovens é uma das principais frentes do projeto. Muitos dos participantes vivem em situação de vulnerabilidade social e recebem uma bolsa de aproximadamente R$ 2 mil para se dedicar às atividades. A proposta é oferecer condições para que eles desenvolvam habilidades e tenham acesso a equipamentos e conhecimentos que podem ajudar na construção de uma trajetória profissional. “Não dá para pegar esse jovem e comparar com um jovem que teve um desenvolvimento socioeconômico maior. Eu preciso dar instrumentos para que esse jovem chegue no mesmo degrau de igualdade e, a partir daí, ele mostre todo o seu potencial”, afirmou Larissa. Entre as atividades estão estudos sobre a história de Belterra, desenvolvimento de produtos e serviços e experiências relacionadas à biodiversidade e à cultura alimentar da região. A intenção é criar perspectivas para que os jovens também possam encontrar oportunidades profissionais dentro do próprio território. Projeto já alcançou mais de 6,8 mil pessoas De acordo com os dados apresentados pelo projeto, 6.812 pessoas já foram beneficiadas diretamente pelas ações. Desse total, 2.582 são indígenas. Mais de 5 mil jovens entre 18 e 29 anos foram impactados por iniciativas de educação, empreendedorismo e formação. O projeto também registra 650 adolescentes beneficiados. Na área de empreendedorismo, mais de 180 microempreendedores individuais (MEIs) receberam apoio. Outros 20 negócios locais estão incubados, com iniciativas relacionadas a alimentos, cosméticos, fármacos e chás. O espaço também conta com laboratórios e áreas destinadas à pesquisa e ao desenvolvimento de soluções relacionadas à biodiversidade amazônica. Conhecimento tradicional como caminho para inovação A proposta é aproximar diferentes conhecimentos sem substituir aquilo que já é produzido pelas comunidades. Ingredientes que estavam esquecidos na alimentação de algumas famílias, por exemplo, voltam a fazer parte das receitas. É o caso da orelha-de-macaco, utilizada em preparações desenvolvidas pelos jovens. Além da gastronomia, o projeto trabalha com ciência, empreendedorismo, bioeconomia e valorização cultural. A ideia é que os jovens conheçam melhor o território onde vivem e percebam que os conhecimentos e recursos da Amazônia também podem fazer parte de seus projetos profissionais. Segundo Larissa, o objetivo é apoiar o trabalho realizado pelo MuCA e pelas comunidades, sem retirar delas o protagonismo. O investimento destinado ao projeto por meio da Lei de Incentivo à Cultura soma R$ 1,87 milhão, considerando os recursos de 2025 e até setembro de 2026. VÍDEOS: mais vistos do g1 Santarém e Região