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Pela primeira vez na história, Corte Interamericana condena Brasil por impunidade em chacina que matou jovens na periferia da Amazônia

Corte Interamericana julga o Brasil por morte de três adolescentes por policiais em Belém. Reprodução / Youtube Mais de 30 anos após a Chacina do Tapanã, ...

Pela primeira vez na história, Corte Interamericana condena Brasil por impunidade em chacina que matou jovens na periferia da Amazônia
Pela primeira vez na história, Corte Interamericana condena Brasil por impunidade em chacina que matou jovens na periferia da Amazônia (Foto: Reprodução)

Corte Interamericana julga o Brasil por morte de três adolescentes por policiais em Belém. Reprodução / Youtube Mais de 30 anos após a Chacina do Tapanã, ocorrida na periferia de Belém, o Brasil foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos pela impunidade no caso. A decisão responsabiliza o Estado por falhas na investigação da morte de três adolescentes e estabelece um marco para casos de violência policial em periferias urbanas do país. O g1 contatou a Advocacia Geral da União (AGU) e aguarda posicionamento. É a primeira vez que o tribunal internacional julga um caso envolvendo a morte de crianças e adolescentes na periferia da Amazônia. A sentença reconhece violações ao direito à integridade pessoal, à proteção judicial, à proteção da família e ao direito à verdade. Os jovens foram mortos em 1994 durante uma operação policial TV Liberal Os jovens foram mortos em 1994 durante uma operação policial. À época, as mortes foram registradas como “auto de resistência”. Em 2018, 21 policiais denunciados pelo Ministério Público foram absolvidos por falta de provas, e o processo foi encerrado sem recurso. O caso chegou ao sistema interamericano após quase três décadas sem responsabilização interna. A denúncia foi apresentada por organizações da sociedade civil do Pará, em parceria com a universidade pública local. A decisão consolida o entendimento de que a omissão na apuração de mortes atribuídas a agentes do Estado pode gerar responsabilização internacional e impõe ao Brasil medidas de reparação e mudanças institucionais. 'Chacina do Tapanã': Corte Interamericana julga o Brasil pela morte de três adolescentes em Belém há 30 anos Mais cinco militares acusados de envolvimento em chacina no Tapanã são absolvidos; outros 12 já foram absolvidos Corte Interamericana julga o Brasil pela morte de três adolescentes em Belém há 30 anos O crime A Chacina do Tapanã ocorreu no bairro do Tapanã, periferia de Belém. Segundo a versão oficial da época, os adolescentes Max Cley Mendes, Marciley Roseval Melo Mendes e Luís Fábio Coutinho da Silva teriam reagido à abordagem, e as mortes foram registradas como “auto de resistência”, termo usado para classificar óbitos decorrentes de suposto confronto com a polícia. Laudos periciais e depoimentos de testemunhas, no entanto, apontaram inconsistências na versão apresentada pelos agentes. Relatos indicaram que os jovens teriam sido ameaçados e agredidos antes de serem mortos. Segundo a denúncia do Ministério Público, os jovens foram presos na rodovia do Tapanã, colocados nas viaturas dos policiais e posteriormente executados. Segundo a defesa dos policiais, as vítimas teriam roubado a arma e assassinado (crime de latrocínio) o cabo da PM Waldemar Paz Nunes. Na época, 16 dos envolvidos estavam sob o comando do policial Neil Duarte de Sousa. Crime gerou protestos de moradores do Tapanã TV Liberal Falhas na investigação e direito à verdade Na decisão, a Corte concluiu que o Estado não conduziu o processo com a devida diligência nem garantiu resposta efetiva às famílias. Para o tribunal, a ausência de esclarecimento dos fatos e de responsabilização violou o direito das vítimas e da sociedade de conhecer a verdade. Os juízes também reconheceram que os crimes ocorreram em um contexto de discriminação estrutural contra jovens negros e pobres moradores de periferias urbanas. A sentença destaca que a pobreza amplia a exposição a violações de direitos humanos e dificulta o acesso à Justiça. O que o Brasil terá que fazer Como medida de reparação, o Estado deverá realizar um ato público de reconhecimento de responsabilidade e adotar providências institucionais. Entre elas, incluir parâmetros internacionais de direitos humanos na formação de juízes criminais e membros do Ministério Público do Pará e criar um sistema de coleta de dados sobre investigações e processos relacionados à violência policial com resultado morte. A decisão é obrigatória? As sentenças da Corte Interamericana são obrigatórias para os países que reconhecem a jurisdição do tribunal — caso do Brasil desde 1998. Isso significa que o Estado brasileiro deverá cumprir as determinações fixadas na decisão. O cumprimento não é automático. A própria Corte acompanha a execução das medidas por meio de um processo de supervisão. O governo precisa apresentar relatórios periódicos informando quais providências foram adotadas, e as vítimas e a Comissão Interamericana podem contestar essas informações. Não há multa automática em caso de descumprimento, mas a falta de cumprimento pode gerar novas resoluções da Corte e ampliar a pressão internacional sobre o país. VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará