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Em Santarém, projeto apresenta dados de pesquisa que poderão ser usados na revisão do Acordo de Pesca do Tapajós

Pesquisas foram realizadas nas comunidades contempladas no Acordo de Pesca do Tapajós TNC Brasil O Projeto Águas do Tapajós realizou um evento na quinta-feir...

Em Santarém, projeto apresenta dados de pesquisa que poderão ser usados na revisão do Acordo de Pesca do Tapajós
Em Santarém, projeto apresenta dados de pesquisa que poderão ser usados na revisão do Acordo de Pesca do Tapajós (Foto: Reprodução)

Pesquisas foram realizadas nas comunidades contempladas no Acordo de Pesca do Tapajós TNC Brasil O Projeto Águas do Tapajós realizou um evento na quinta-feira (14) em Santarém, oeste do Pará, para expor dados obtidos em uma pesquisa realizada em comunidades do Baixo Amazonas. Esses dados revelam a realidade do setor pesqueiro e poderão ser utilizados na revisão do Acordo de Pesca do Tapajós. ✅ Siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp Os dados foram obtidos no período entre agosto de 2024 e maio de 2025. Participaram das pesquisas lideranças comunitárias, organizações da sociedade civil e com órgãos governamentais. A pesquisa foi realizada em comunidades da Flona Tapajós e da Resex Tapajós-Arapiuns pela The Nature Conservancy (TNC) em parceria com instituições parceiras e órgãos ambientais da região como o Movimento dos Pescadores do Baixo Amazonas (Mopebam), Colônia de Pescadores Z-20, Sociedade para Pesquisa e Proteção do Meio Ambiente (Sapopema), Instituto de Conservação Ambiental (ICMBio) além do apoio das Semas de Santarém e do Estado. Evento aconteceu na Colonia Z-20 em Santarém Dominique Cavaleiro/g1 O que foi avaliado nas pesquisas? De acordo com a professora da Universidade Federal do Pará (Ufpa), Bianca Bentes, vários aspectos foram observados nas pesquisas, como: consumo das espécies na região, desembarque pesqueiro e espécies de peixes mais encontradas na região. Algumas espécies já dão sinais de sobrepesca na região, por isso a importância de avançar no acordo de pesca ouvindo todas as esferas interessadas e promovendo o protagonismo dos pescadores na construção dessas ações. “Há necessidade de se pensar em um trabalho de manejo que tenha a atuação das instituições que regulam isso juntamente, claro, sempre com protagonismo dos pescadores”, contou a professora. O que os dados revelaram? Ainda segundo a pesquisadora Bianca Bentes, além das espécies com sinais de sobrepesca, os dados revelaram a importância de trazer os pescadores para as discussões relacionadas ao manejo sustentável das espécies. “O segundo principal achado, eu diria, que teria que trazer esses pescadores para essas discussões, trazer a realidade deles para se pensar no manejo. O manejo não pode ser pensado de uma forma unilateral, ele tem que ser pensado com aqueles que vivem a realidade”, disse Bianca Bentes. A pesquisadora revelou que entre as espécies com sinais de sobrepesca é o próprio tambaqui, mas esses dados podem sofrer variações por conta do processo hidrológico da Amazônia. “O tambaqui é uma espécie que traz um certo alerta pra gente assim como algumas pescadas”, contou Bianca. Coordenador do Movimento dos Pescadores do Baixo Amazonas (Mopebam), Manoel Pinheiro contou que para a classe dos pescadores, uma das preocupações é o estoque pesqueiro. Ele destaca que o Mapará é uma das espécies com maior índice de pesca na região, por conta do valor comercial desse tipo de peixe. “O mapará aqui na região do Tapajós é um peixe cobiçado. O mapará é o carro chefe no estoque peixeiro, nossos pescadores correm muito atrás desse peixe e essa é uma das preocupações em relação ao estoque pesqueiro pela facilidade de exportação, esse peixe é o mais vendido para frigoríficos e grandes empresas”, contou Manoel. Futuro da pesca no Tapajós: encontro em Santarém discute novos dados e acordos pro setor Revisão do Acordo de Pesca O principal acordo de pesca válido no Rio Tapajós é o Acordo de Pesca Tapajós-Arapiuns, originalmente homologado pela Portaria SEMAS nº 2.816/2022 e prorrogado consecutivamente, sendo a medida mais recente formalizada pela Portaria SEMAS nº 5.083/2025. De acordo com o Governo do Estado, este acordo engloba 100 comunidades tradicionais ribeirinhas na área de influência do rio Tapajós, estando dentro dos limites da Reserva Extrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns e da Floresta Nacional (Flona) Tapajós. Com a apresentação dos dados das pesquisa e sugestões dadas pelos pescadores, há a possibilidade de haver uma revisão neste acordo. O secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará, Rodolpho Zahluth também esteve na programação e falou sobre a importância de ouvir de perto as demandas dos pescadores, não só para a possibilidade de revisão do acordo de pesca, mas sim para promover de fato o protagonismo desses trabalhadores. “Essa política tem um diferencial bem interessante porque a norma é construída normalmente pelo estado para os cidadãos cumprirem a norma. No acordo de pesca essa norma é construída pela comunidade, onde se há um dialogo compartilhado entre as comunidades que definem aquela regra, para aquele território e o Estado apenas valida. Então é um diferencial fantástico, onde o setor pesqueiro é protagonista nesta construção”, contou o Secretário. Pesquisas foram realizadas nas comunidades contempladas no Acordo de Pesca do Tapajós TNC Brasil VÍDEOS: mais vistos do g1 Santarém e Região