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Como recuperar áreas degradadas na Amazônia? No Pará, rede une ciência e saberes de quem vive nos territórios

Uma rede para restaurar a Amazônia: ciência e territórios se unem para orientar políticas públicas Ronaldo Rosa Uma rede que reúne pesquisadores e comunid...

Como recuperar áreas degradadas na Amazônia? No Pará, rede une ciência e saberes de quem vive nos territórios
Como recuperar áreas degradadas na Amazônia? No Pará, rede une ciência e saberes de quem vive nos territórios (Foto: Reprodução)

Uma rede para restaurar a Amazônia: ciência e territórios se unem para orientar políticas públicas Ronaldo Rosa Uma rede que reúne pesquisadores e comunidades está tentando responder a uma questão prática da recuperação de áreas degradadas na Amazônia: onde restaurar, quais espécies utilizar e que estratégia funciona melhor em cada território. O Centro CAPOEIRA reuniu parte desses trabalhos entre os dias 14 e 16 de setembro, em Mosqueiro, distrito de Belém, durante um encontro que discutiu como transformar conhecimento científico em ferramentas para orientar projetos e políticas públicas de restauração. Em 18 meses, a iniciativa chegou a 44 instituições, 160 integrantes, 70 atividades em andamento e 74 produtos entregues. Entre os resultados estão a formação de brigadas de prevenção e combate a incêndios florestais, capacitações de agentes comunitários e jovens e a implantação de Laboratórios Vivos, que aproximam pesquisadores das demandas apresentadas pelos próprios territórios. Informação para decidir onde e como restaurar Uma das ferramentas em desenvolvimento é uma plataforma que pretende reunir dados hoje dispersos sobre áreas prioritárias, espécies, características dos territórios e estratégias como sistemas agroflorestais e regeneração natural e assistida. A previsão é que a ferramenta esteja disponível para uso nos próximos 12 meses. “Na prática, essa plataforma vai apoiar os gestores no planejamento da restauração e na elaboração de projetos, reunindo informações sobre quais áreas têm melhor relação de custo-benefício, quais estratégias seriam mais adequadas e quais espécies poderiam ser utilizadas”, explica a pesquisadora Joice Ferreira. Para a pesquisadora do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) Ima Vieira, o desafio não é apenas reunir dados, mas transformar uma produção científica fragmentada em informação que possa orientar decisões. “O CAPOEIRA é uma rede que reúne todas as condições de apresentar grandes sínteses de conhecimento sobre determinados aspectos ligados à restauração”, afirma. Entre as áreas em que esse conhecimento pode chegar às políticas públicas estão o planejamento da restauração em escala de paisagem e o fortalecimento das redes de sementes nativas. Agricultora Jaqueline Silva Natalia Mello Quando quem vive no território também produz conhecimento Em Primavera, no nordeste do Pará, a está entre 15 lideranças sem curso superior certificadas pela Universidade Federal do Pará (UFPA) pelo projeto Refloramaz. A formação em sistemas agroflorestais aproximou o conhecimento acadêmico dos saberes construídos no campo e fez com que ela passasse a compartilhar o aprendizado com outras famílias agricultoras. “Hoje eu poder falar com professores, cientistas, técnicos e olhar para mim enquanto agricultora, sentada num banco de uma faculdade e dizendo assim: eu também tenho um conhecimento que pode ajudar todos nós”, conta. Essa troca também orienta os chamados Laboratórios Vivos, que funcionam no Oeste do Pará, no Mosaico do Gurupi e no nordeste paraense. Nesses espaços, a proposta é que agricultores familiares, indígenas, quilombolas, mulheres e jovens participem da definição dos problemas que pesquisadores e gestores precisam ajudar a enfrentar. “Um laboratório vivo pertence ao território. Ele não é criado pelos pesquisadores para as pessoas participarem”, explica a pesquisadora Emilie Coudel. A pesquisadora Emilie Coudel. Janine Valente Restauração sem receita pronta As soluções mudam de acordo com cada região. No nordeste paraense, agricultores experimentam e adaptam diferentes modelos de sistemas agroflorestais. Em Santarém, onde estão territórios coletivos como a Floresta Nacional do Tapajós, a Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns e o PAE Lago Grande, as discussões envolvem áreas de milhares de hectares, recuperação de várzeas e nascentes e uma abordagem que considera também as relações sociais, culturais e os modos de vida das comunidades. “A gente não está dando a receita para as pessoas, a gente está conversando sobre o caminho para que elas achem a receita delas”, resume Emilie. ✅ Siga o canal do g1 Pará no WhatsApp Agora no g1 VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará