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Câmara de Parauapebas abre processo de impeachment contra prefeito por suposto racismo religioso

MPF investiga prefeito de Parauapebas por suspeita de racismo religioso Redes Sociais A Câmara Municipal de Parauapebas, no sudeste do Pará, abriu processo po...

Câmara de Parauapebas abre processo de impeachment contra prefeito por suposto racismo religioso
Câmara de Parauapebas abre processo de impeachment contra prefeito por suposto racismo religioso (Foto: Reprodução)

MPF investiga prefeito de Parauapebas por suspeita de racismo religioso Redes Sociais A Câmara Municipal de Parauapebas, no sudeste do Pará, abriu processo político-administrativo que pode resultar na cassação do mandato do prefeito Aurélio Ramos de Oliveira Neto, conhecido como Aurélio Goiano (Avante). A investigação foi aberta após o prefeito publicar, no dia 29 de julho, um vídeo nas redes sociais em que aparece chutando uma oferenda deixada em uma via pública e fazendo declarações sobre religiões de matriz africana. A fase de instrução do processo terá início com audiências marcadas para os dias 23 e 24 de setembro, no plenário da Câmara Municipal. No primeiro dia, a partir das 9h, serão ouvidas as testemunhas. Caso seja necessário, os trabalhos poderão continuar no período da tarde. No dia 24, também às 9h, está previsto o depoimento pessoal do prefeito. Segundo a Comissão Processante, em reunião realizada no dia 27 de agosto, os integrantes aprovaram, por dois votos a um, o parecer preliminar da relatora, vereadora Érica Souza da Silva Ribeiro, que defendeu o prosseguimento da denúncia. Em 31 de agosto, foi oficialmente iniciada a fase de instrução, com a realização de diligências documentais e a verificação técnica das mídias anexadas ao processo. Em nota, a prefeitura de Parauapebas informou que tomou conhecimento da decisão pelo Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA), que determinou a suspensão dos atos decisórios, conclusivos, de julgamento ou capazes de produzir efeitos irreversíveis relacionados às três Comissões Processantes instauradas pela Câmara Municipal contra o prefeito Aurélio Goiano. A prefeitura disse ainda, que "a decisão judicial não representa, neste momento, o julgamento definitivo do mérito das denúncias, tampouco determina sua anulação ou reconhece sua validade". (Veja ao final a nota na íntegra). ✅ Clique e siga o canal do g1 Pará no WhatsApp Entenda o caso A denúncia que deu origem ao processo foi apresentada à Câmara Municipal em 4 de agosto de 2026 por Vanessa Silva das Neves Baia, conhecida como Mãe Vanessa de Oxum, liderança religiosa e responsável pelo Templo Águas de Oxum, em Parauapebas. O advogado Hédio Silva Jr. atua no caso. Segundo o Legislativo municipal, a denúncia aponta supostos atos incompatíveis com a dignidade e o decoro do cargo de prefeito. Entre os fatos citados estão declarações atribuídas a Aurélio Goiano durante uma sessão solene em homenagem ao Dia do Evangélico, realizada em 11 de junho de 2025. De acordo com a denúncia, o prefeito teria feito declarações consideradas pejorativas contra religiões de matriz africana e defendido a necessidade de “evangelizar o povo afro”. O caso também envolve um vídeo que, segundo a denúncia, mostra o prefeito chutando uma oferenda e fazendo ofensas relacionadas às religiões de matriz africana. A apuração, no entanto, ainda está em andamento e deverá ouvir testemunhas, analisar documentos e verificar tecnicamente as mídias apresentadas ao processo. (Veja abaixo). MPF investiga prefeito de Parauapebas por suspeita de racismo religioso O Ministério Público Federal (MPF) também abriu investigações nas áreas cível e criminal para apurar a conduta do prefeito. Para o órgão, a conduta pode violar o direito à liberdade de crença garantido pela Constituição e configurar discriminação por motivo de religião, hipótese prevista na Lei do Racismo. Processo pode levar à cassação O procedimento segue as regras estabelecidas pelo Decreto-Lei nº 201/1967, que regulamenta a apuração de infrações político-administrativas cometidas por prefeitos e vereadores. De acordo com a Comissão Processante, o objeto da investigação está limitado aos fatos recebidos pelo plenário da Câmara em 4 de agosto e ao enquadramento previsto no artigo 4º, inciso X, do decreto, que trata de conduta incompatível com a dignidade e o decoro do cargo. A comissão é presidida pela vereadora Maquivalda Aguiar Barros, com Érica Ribeiro como relatora. O processo tem prazo global de 90 dias, contado a partir da notificação do prefeito, realizada em 12 de agosto. A previsão é que o procedimento seja encerrado até 10 de novembro de 2026. Ao final da apuração, a Câmara deverá analisar o resultado do processo, que pode levar à cassação do mandato, caso sejam cumpridos os requisitos previstos na legislação. Veja a nota da prefeitura na íntegra "A Prefeitura de Parauapebas informa que tomou conhecimento da decisão proferida nesta terça-feira, 8, pelo Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA), que determinou a suspensão dos atos decisórios, conclusivos, de julgamento ou capazes de produzir efeitos irreversíveis relacionados às três Comissões Processantes instauradas pela Câmara Municipal contra o prefeito Aurélio Goiano. A decisão, de caráter provisório, foi proferida pela desembargadora Luzia Nadja Guimarães Nascimento, da 2ª Turma de Direito Público, durante a análise de recurso apresentado pelo vereador Eleomárcio Almeida de Lima. O Tribunal identificou, em análise preliminar, a necessidade de aprofundamento de questões relacionadas à regularidade do procedimento, especialmente quanto às condições de acesso e ao tempo disponibilizado aos parlamentares para análise dos documentos que integram as Denúncias nº 001, 002 e 003/2026. Diante disso, o TJPA determinou a suspensão de atos de julgamento e de quaisquer medidas que possam produzir efeitos irreversíveis, permitindo, entretanto, a continuidade de procedimentos de natureza meramente administrativa, como organização documental, conservação dos processos e preservação de provas. A Prefeitura ressalta que a decisão judicial não representa, neste momento, o julgamento definitivo do mérito das denúncias, tampouco determina sua anulação ou reconhece sua validade. Trata-se de uma medida provisória, adotada no âmbito da análise da legalidade e da regularidade do procedimento. A Administração Municipal respeita integralmente as decisões do Poder Judiciário e reafirma seu compromisso com o Estado Democrático de Direito, com o devido processo legal, o direito à ampla defesa e ao contraditório e com a observância dos princípios que devem nortear a administração pública. O processo seguirá para manifestação do Ministério Público e posterior apreciação pelo Tribunal de Justiça do Estado do Pará. A Prefeitura continuará acompanhando o andamento do processo e prestando os esclarecimentos necessários sempre que houver novas decisões ou informações oficiais." Leia todas as notícias do estado no g1 Pará