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Avanço de portos, pecuária e seca ameaçam pesca artesanal no Maicá e Ituqui, em Santarém, aponta estudo

Nível do Rio Tapajós atingiu a marca de 1,85 metro nesta quarta-feira (14). O rio continua baixando rapidamente, o que acende o alerta e aumenta a preocupaçÃ...

Avanço de portos, pecuária e seca ameaçam pesca artesanal no Maicá e Ituqui, em Santarém, aponta estudo
Avanço de portos, pecuária e seca ameaçam pesca artesanal no Maicá e Ituqui, em Santarém, aponta estudo (Foto: Reprodução)

Nível do Rio Tapajós atingiu a marca de 1,85 metro nesta quarta-feira (14). O rio continua baixando rapidamente, o que acende o alerta e aumenta a preocupação de moradores com o risco de uma seca severa na região. Marcos Santos A redução dos estoques de peixes, a contaminação das águas e o avanço desordenado de atividades econômicas ameaçam a sobrevivência de famílias ribeirinhas nas regiões do Maicá e do Ituqui, em Santarém, no oeste do Pará. ✅ Clique aqui e siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp O alerta faz parte do levantamento que deu origem à cartilha "Pesca Artesanal e Soberania Alimentar nas Regiões do Maicá e Ituqui", lançada pelo Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP) da Arquidiocese de Santarém. Para ampliar a mobilização e debater os resultados da pesquisa, o material será apresentado diretamente nas comunidades ribeirinhas a partir deste mês. Portos clandestinos e pecuária na mira Entre os principais problemas apontados pelo levantamento do CPP estão o avanço das atividades portuárias — tanto legalizadas quanto clandestinas —, a pecuária em larga escala e a poluição das águas nos territórios pesqueiros. A coordenadora do CPP, Valdeci Oliveira, destaca que a falta de fiscalização ambiental e a omissão do Estado em criar políticas públicas eficientes para o setor agravam a situação. “Dentre os principais desafios aos modos de vida dessas comunidades, temos a ameaça do avanço das atividades portuárias nos territórios pesqueiros, a pecuária em larga escala, a poluição e a contaminação das águas. A pesca predatória e os efeitos das mudanças climáticas também ampliam esses riscos”, explica a coordenadora. Estiagem e calor preocupam comunidades ribeirinhas em Santarém O peixe como 'pão de cada dia' Para as populações tradicionais, o peixe vai muito além de uma fonte de renda: é a base da alimentação diária. A pesquisa identificou que muitas famílias das duas regiões consomem pescado até cinco vezes por semana. O pescador João Paulo Costa dos Santos, morador da Aldeia São Francisco da Cavada, ressalta a dependência vital do recurso para a sobrevivência das comunidades. “Nós vivemos mesmo da pesca. O peixe é o pão de cada dia, tanto para mim quanto para as famílias que moram na beirada. É o nosso alimento”, relata João Paulo. O CPP alerta que a diminuição dos estoques de peixe pode causar um cenário de grave insegurança alimentar, principalmente em períodos de seca extrema, quando o acesso das comunidades à cidade e a outros insumos fica severamente prejudicado. Lançamento da cartilha em Santarém reuniu lideranças Divulgação: Rivail Araújo - Pascom São Raimundo Fortalecimento e apresentações nos territórios A publicação também busca dar visibilidade às reivindicações locais e cobrar posicionamentos da Secretaria Municipal de Pesca, da Câmara Municipal de Santarém e de órgãos de controle ambiental. Como estratégia para envolver os moradores na defesa dos rios, o CPP realizará novas apresentações da cartilha nos territórios. As atividades ocorrem sempre às 9h. Veja o cronograma: 17 de outubro: Aldeia São Francisco da Cavada (região do Planalto); 20 de outubro: Comunidade Aracampina. A distribuição do material é gratuita e tem como foco fortalecer as ferramentas de preservação das próprias comunidades, como os acordos de pesca comunitária.